Consta no imaginário popular que
o detetive é aquela pessoa que utiliza casaco xadrez e tem como principal
ferramenta de trabalho a lupa, um traje típico dos desenhos e filmes. O serviço
é, no entanto, coisa séria e movimenta um grande mercado. O investigador Itenir Pedro diz que
essa ideia é a apenas um mito e defende a importância da investigação. Já está se desmistificando muito a ideia de
que um detetive é um sujeito atrapalhado, que mora em uma quitinete e com um
gato que dorme o dia inteiro. Hoje em dia isso não é mais assim. Você tem um
detetive hoje com um papel fundamental na sociedade, em relação a diversos
tipos de investigação. A visão é compartilhada por muito associados, uma das
investigadoras da empresa Aguia Investigações e Perícias. Eu me vestir de faxineira é muita história.
Nós não fazemos isso. A pessoa que está sendo investigada não nos conhece,
então não preciso me fantasiar. A gente usa a inteligência e não o disfarce.
Nomenclatura
Um detalhe que também pode passar
despercebido é o próprio nome da profissão. Para alguns, o termo detetive e
investigador são utilizados como sinônimo. Pedro, dono da empresa de
investigações que leva sobrenome da família, afirma, no entanto, que esta é uma
prática errada e que os termos têm diferença.
Aqui no Brasil, detetive é uma coisa e investigador é outra. Embora no
dicionário apareça que são sinônimos, é bastante diferente. O detetive vem de
"detectarem" [descobrir, detectar, em Latim]. Ou seja, qualquer um
pode ser detetive, inclusive um policial militar, pois ele detecta um fato, se
coloca em conhecimento da Justiça e aí entra o trabalho do investigador para
levar a fundo a investigação. O detetive particular até pode, mas não tem
condições de elaborar um laudo, um relatório, por exemplo. Para Pedro, os termos também
apresentam diferenças, mas em quesitos distintos, como a área de atuação, por
exemplo. O que muda, na realidade, não é
a classificação entre detetive e investigador. Existe a diferença entre
detetive particular e investigador particular. Existe detetive policial e
investigador de polícia. O detetive diz ainda que o termo muda também de acordo
com a região do País. No Rio de Janeiro,
por exemplo, o termo detetive usa-se para investigador de polícia. Então se
você chegar no Rio e disser que você é detetive, a população vai analisar que
você faz parte de um órgão governamental. O presidente da FBI (Federação
Brasileira de Investigações), Evódio Eloísio de Souza, afirma, no entanto, que
na COB (Classificação Brasileira de Ocupações), investigador particular e
detive particular são a mesma coisa, ou seja, sinônimos. O COB a que Souza se
refere é o da ocupação “detetive profissional”. No cadastro, os títulos de
“detetive particular” e “investigador particular” aparecem como termos
iguais. Seja detetive ou investigador, Pedro conclui que, apesar das diferenças, o trabalho da apuração vai além do
simples ato de ir atrás de pistas e dados.
O principal da investigação é a paciência. Você também tem que ter um
pouco de psicologia, para você conversar com o seu cliente, saber abordar o
assunto. Tem que tomar cuidado com o que você vai falar e que prova você vai
apresentar.
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